Pós-graduação

O curso de Pós-graduação (lato sensu) em Musicoterapia, oferecido pelo CBM-CEU desde 1993, completou este ano 20 anos de existência. Está estruturado em três módulos letivos ministrados em janeiro - julho - janeiro, com três semanas em cada módulo, e dez horas/aula dia. A carga horária total é de 400 horas e é destinado a pessoas com graduação nas áreas de música, educação e saúde ou áreas afins, que queiram uma habilitação para trabalhar com musicoterapia nos campos em que esta atua: educação especial, reabilitação motora, saúde mental, oncologia, cuidados paliativos, doenças renais, e outras.

Cabe ressaltar que este modelo permite que pessoas de vários estados do país onde não existem cursos de musicoterapia tenham a possibilidade de, muitas vezes, validar e transformar as suas práticas de utilização da música em educação especial, em musicoterapia. Mais do que isto, possibilitar que pessoas que não teriam acesso à musicoterapia possam ser por ela beneficiadas.

Em 31/3/1997 a Delegacia do Ministério da educação e Desporto no Estado do Rio de Janeiro se manifestou a respeito da criação desse curso da seguinte forma:

A Delegacia do Ministério da Educação e do Desporto no Estado do Rio de Janeiro comunica a V.Sa. que o Curso de Pós-graduação em Musicoterapia, apenso ao Processo no  23.026001572/96-75 cumpre de forma adequada os requisitos exigidos pela Resolução no 12/83 do CFE/MEC.

O CBM foi adequando as edições posteriores às Resoluções que se seguiram.

A oferta do programa se justifica na relevância da formação continuada/especialização de profissionais que atuam, ou pretendem atuar como terapeutas nas várias áreas: educação especial, reabilitação, saúde mental, hospitais gerais, ONGs e, Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) e, mais recentemente, em salas de espera de Postos de Saúde e Consultórios de Rua.

Existe um interesse crescente pela musicoterapia no mundo, decorrente, sem dúvida, de trabalhos realizados e dos resultados por estes apresentados. No Brasil este interesse não é diferente. Instituições nas esferas federal, estadual e municipal, além das particulares, solicitam aos cursos de formação e estudantes de musicoterapia para atuarem como estagiários e profissionais para serem inseridos em suas equipes inter/multidisciplinares. Concursos abrem vagas para musicoterapeutas, tanto no município do Rio de Janeiro como em cidades do interior desse estado, o mesmo acontecendo em outras regiões do país onde a musicoterapia já tem a divulgação e o reconhecimento por parte daqueles que cuidam da educação especial, da saúde mental e da reabilitação d pessoas que, infelizmente, não se desenvolveram ou foram acometidos por males de diversas naturezas.  

Deve-se ressaltar que os cursos de graduação e pós-graduação em musicoterapia estão localizados nas regiões Sul, Sudeste, Centro-oeste e Nordeste do país, sendo que na região Norte não há cursos nessa área, em nenhum nível. Além disto, não são muitos os musicoterapeutas qualificados – em algum curso da área – que residem nessa região.    

Certamente muitas são as pessoas da área de música que trabalham nas regiões onde não há formação de musicoterapia, em instituições de educação especial, por exemplo, para atenderem a pedidos daqueles que têm a clareza da importância da música para o desenvolvimento de crianças que têm uma defasagem de qualquer ordem.

Muitas dessas pessoas buscam cursos – principalmente em nível de pós-graduação - para validar as suas práticas e se instrumentalizarem para melhor empregar a sua valiosa ferramenta de trabalho, a música, como elemento terapêutico, por não terem condições pessoais, familiares, profissionais ou financeiras para se deslocarem para os centros de excelência na área e se manterem por quatro anos fora de suas casas, para se formarem em uma graduação.  Assim, parece ser de grande importância a existência de um curso que possibilite às pessoas que já trabalham com música em campos como educação e artes, o acesso ao conhecimento numa área que tanto se desenvolve e que ajuda os que padecem de males que advêm de diferentes causas, incluindo-se a própria sociedade.   

5.1.2 Objetivo Geral e Específicos:

PROMOVER a especialização de profissionais que desejam exercer a musicoterapia nos diversos campos de atuação: educação especial, reabilitação motora, saúde mental, área materno-infantil, cuidados paliativos, e "nas novas práticas", nas esferas pública e privada, de acordo com as tendências atuais, a fim de capacitá-los teórica e praticamente como terapeuta que utiliza a música como meio principal para desenvolver processos terapêuticos e alcançar resultados positivos físicos, mentais, emocionais e sociais.

Específicos:

  • Desenvolver atividades de pesquisa, especialmente, as relacionadas à pesquisa qualitativa em terapia, desenvolvendo autonomia intelectual e espírito investigativo;
  • Exercitar normas científicas na elaboração de trabalhos acadêmicos tais como: projeto de pesquisa, memorial acadêmico, artigo acadêmico, entre outros;
  • Refletir sobre a necessidade da formação continuada do musicoterapeuta, para a compreensão do processo de produção do conhecimento e da provisoriedade das verdades científicas;
  • Favorecer a formação crítica e criativa do aluno pós-graduando, destacando seu papel profissional como terapeuta inserido na atual sociedade brasileira.
  • Analisar os fundamentos e conceitos de terapia através da música, refletindo sobre o contexto sócio-histórico-econômico-cultural que os consolidaram, relacionando-os às novas realidades sociais;
  • Compreender a necessidade da articulação entre as diferentes áreas do conhecimento (multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transversali-dade) para a construção de uma visão mais ampla e adequada da realidade a partir de um saber não fragmentado;
  • Aprofundar os conhecimentos sobre o desenvolvimento humano e aprendizagem a partir das diversas concepções, reconhecendo suas implicações teóricas e metodológicas para a terapia;
  • Analisar e refletir sobre a função social do musicoterapeuta na contemporaneidade;  
  • Refletir sobre o uso das novas tecnologias da música como ferramenta terapêutica e suas implicações na prática;
  • Especializar profissionais com capacidades técnica, política e ética para atuar nas diferentes áreas e de acordo com as tendências da contemporaneidade no que tange às terapias;
  • Ampliar o conhecimento dos fundamentos terapêuticos além de aspectos que favorecem uma gestão de qualidade, tais como gerir processos, planejar coletivamente, avaliar processos e promover a participação coletiva, já que, atualmente, musicoterapeutas exercem, também, o papel de coordenadores de CAPs;  
  • Compreender a gestão de coordenadores de instituições de saúde como ações coletivas a serem construídas de forma integrada e participativa;
  • Reconhecer a importância de se conhecer profundamente as referências legais necessárias a uma gestão e coordenação consciente, intencional e de qualidade;
  • Ampliar os conhecimentos sobre gestão e coordenação democrática de forma a desenvolver as habilidades para a construção de projetos que possam ser construídos coletivamente.

5.1.3  PERFIL DO EGRESSO

Estar apto para atuar profissionalmente como terapeuta utilizando a música como ferramenta  nas diferentes áreas oferecidas pelo mercado de trabalho.

5.1.4  CAMPO DE ATUAÇÃO

Os musicoterapeutas devem, hoje, ser preparados não só para atuarem como profissionais que empregam a música como elemento terapêutico mas, também, para Gestão de Instituições (como os CAPs, por exemplo), Supervisão, Pesquisa, e demais funções relacionadas ao campo da terapia através da música.

 

5.1.5 PÚBLICO ALVO

Músicos, pedagogos, profissionais da saúde e licenciados em áreas afins, desde que tenham habilidades em um instrumento musical.

5.1.6 FORMAS DE ACESSO AO CURSO

  • O ingresso no curso de musicoterapia é feito através de um processo seletivo que consta de prova de música, já que esta é a especificidade ou ferramenta principal da musicoterapia; prova discursiva sobre um texto dado; prova de música no instrumento musical de domínio do candidato, análise de currículo e entrevista.
  • O curso é composto de disciplinas de três eixos principais: da música (música popular brasileira, psicologia da música e música em musicoterapia); de disciplinas da área médica (neurofisiologia, neurociências e psicopatologia/psiquiatria) e disciplinas da musicoterapia: Teorias, técnicas e métodos I e II e Experiências Musicoterápicas. Além disto são oferecidas disciplinas de Metodologia de Pesquisa e Orientação para elaboração de trabalho científico, e as que abordam a aplicação da musicoterapia nas principais áreas de atuação, ministradas  por docentes especialistas nas referidas áreas: Saúde Materno-infantil; Saúde Mental com adultos; Deficiência Intelectual; Deficiência visual e Saúde Mental infantil.
  • Ainda os alunos são obrigados a realizar estágios em instituições que recebam pacientes de uma das áreas estudadas no curso, e são supervisionados por um musicoterapeuta do CBM.

5.1.7  SISTEMA DE AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

Ao longo dos três módulos do curso os alunos se submetem à avaliação obrigatória de cada disciplina que pode ser feita através de: apresentação de seminários em aula; prova escrita ao final da disciplina; trabalho escrito a ser apresentado num prazo determinado pela instituição, além do cumprimento de 75% de presenças.  

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