Musicoterapia resgata a identidade e valoriza a trajetória do idoso

Através da música, os profissionais da área acabam fazendo um mapeamento de contextualização histórica e social. A tecnologia tornou-se uma ferramenta imprescindível.

No sábado, dia 6 de maio, um seminário de musicoterapia que foi oferecido pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro jogou luz sobre essa área de atuação que pode trazer grandes benefícios para os pacientes idosos. “Muitos não entendem o objetivo da musicoterapia, acham que se trata de uma aula de canto, ou de recreação”, diz Vera Bloch Wrobel, coordenadora do evento ao lado de Elisabeth Martins Petersen, que completa seu raciocínio: “trata-se de uma abordagem não medicamentosa para melhorar a qualidade de vida e lentificar os processos de declínio que acompanham o envelhecimento, dentre outros objetivos terapêuticos. São as necessidades do paciente que indicam como traçaremos o tratamento”.

Ambas são musicoterapeutas graduadas pelo Conservatório Brasileiro de Música – Centro Universitário, cuja primeira turma é de 1972. Vera também é mestre em educação musical; Elisabeth tem especialização em psico-oncologia e extensão em cuidados paliativos. Identificar e cantar/tocar a trilha sonora de toda uma vida é um processo que pode auxiliar o paciente a elaborar questões importantes, como o sentimento de isolamento, a morte de entes queridos, além das próprias perdas inerentes ao envelhecimento. “As terapias que envolvem a arte preenchem questões existenciais. A música, pelo seu caráter acolhedor, ajuda nessa construção”, explica Vera, acrescentando que, com frequência, a pessoa não quer se manifestar sobre episódios que a marcaram, mas a escolha musical acaba falando por ela.

Elisabeth acrescenta que a musicoterapia também tem o papel de reconstruir o inventário de realizações do indivíduo: “ela vai resgatar identidades perdidas e valorizar a trajetória da pessoa, por isso esse histórico sonoro-musical é único. Nem sempre o paciente tem alguma patologia, ele pode apenas apresentar a perda do vigor físico e cognitivo compatível com a idade. Esse inventário vai trazer de volta o passado que teve importância e a família pode inclusive verificar uma mudança de estado, de menor apatia. A memória musical é a última que se apaga, mas, mesmo em estágios avançados de demência, como Alzheimer, nos quais o profissional é quem oferece a música, essa abordagem tem efeitos terapêuticos, como ajudar a manter os parâmetros clínicos estáveis e proporcionar melhor qualidade de vida até o fim”.

Através da música, os profissionais da área acabam fazendo um mapeamento de contextualização histórica e social. A tecnologia tornou-se uma ferramenta imprescindível. As duas lembram bem das dificuldades enfrentadas, décadas atrás, para localizar conteúdos musicais. “Agora a internet oferece busca imediata de momentos marcantes para o paciente. Ele pode citar a canção de um filme e quase imediatamente vamos introduzi-la na sessão”, conta Vera.

 

Foto: as musicoterapeutas Elisabeth Petersen e Vera Wrobel (sentada)

Crédito: Mariza Tavares

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