Implantação da Clínica Social de Musicoterapia Ronaldo Millecco

 

Rio de Janeiro, Maio de 2001.


Sumário

1. Histórico

2. Implantação e relação da Clínica Social com o Curso de Musicoterapia

3. Dos Estágios, dos Estagiários e dos Pacientes

4. Dos Recursos físicos, Materiais e Humanos.

5. Da Utilização do Espaço

6. Da Supervisão

7. Da Pesquisa

8. Do pessoal da Clínica

9. Considerações finais.


1 - Histórico

Na década de 80, a idéia da criação de uma Clínica Social de Musicoterapia foi trazida por Marcia Porto, psicóloga responsável pela Dinâmica de Grupo no Curso de Musicoterapia do Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro e professora da Universidade Santa Úrsula. Discutida por várias vezes nas reuniões de professores que à época faziam parte do corpo docente do Curso de Musicoterapia, nunca foi possível a  organização da clínica, que teria como modelo as clínicas de psicologia ligadas aos cursos dessa mesma área.

Em 1990, quando hospedei Barbara Hesser, Coordenadora dos Cursos de Musicoterapia da Universidade de N. York, ouvi falar pela primeira vez sobre a criação de uma clínica especificamente de musicoterapia, o que muito me mobilizou. Em 1991 visitei a Clínica Nordoff-Robbins, parte dos Cursos de Musicoterapia em nível de Mestrado e Doutorado da Universidade de N. York, e vislumbrei então a possibilidade da organização de uma clínica nos mesmos moldes, guardando as devidas proporções, no Conservatório Brasileiro de Música.

No entanto, pela falta de espaço, nunca me foi possível enquanto coordenadora,  organizar essa clínica.

Marco Antonio Carvalho Santos, o coordenador do Curso de Musicoterapia que assumiu em 1990, organizou atendimentos de musicoterapia na filial do CBM, localizada na Tijuca. Desses atendimentos participavam alunos que atuavam como estagiários e também musicoterapeutas formados, que utilizavam a sala aos sábados. Como não participei da organização desses atendimentos, não sei exatamente como funcionavam.

Em 1994, quando pela primeira vez visitei a UNAERP, fiz um projeto para a criação de uma clínica social que foi inaugurada um ano depois e que atende hoje a mais de 100 pacientes da comunidade.

Como o CBM recentemente alugou um espaço no sétimo andar, parece agora possível a criação de uma clínica que venha a atender à comunidade, ao mesmo tempo em que poderá dar a possibilidade de estágio para os alunos do Curso de Musicoterapia e possibilitar a realização de pesquisas, o que muito contribuirá, sem dúvida, para o desenvolvimento da musicoterapia no nosso estado e, consequentemente, no país.

 

2 - Implantação e Relação da Clínica Social com o Curso de Musicoterapia.

A Clínica Social do CBM deve ter uma estreita relação com o Curso de Musicoterapia, pois deve se constituir como um dos segmentos da instituição, com o objetivo de contribuir para uma melhor formação do musicoterapeuta. (Vide anexo 1).

A formação do musicoterapeuta deve ser baseada em três áreas com igual peso, constituídas pela parte teórica, pela prática assistida – prática de estágios sob supervisão -,  e pelo incentivo à pesquisa – embora esta não seja objetivo precípuo de cursos de graduação.   

Como segmentos fundamentais de apoio para o desenvolvimento desse trabalho estão a biblioteca e o acesso à Internet que, junto com a formação teórica e com o desenvolvimento da prática clínica, trazem a possibilidade de estudo e enriquecimento tanto dessa prática quanto de desenvolvimento teórico do aluno.

Assim, a criação de uma Clínica Social contribui para a formação do musicoterapeuta e, consequentemente, para o desenvolvimento da musicoterapia, sem que se deixe de lembrar que o objetivo principal da criação da clínica é o atendimento à comunidade.

 

3 - Do Estágio, dos Estagiários e dos Pacientes

 

3.1 - Do estágio e dos estagiários

O estágio deve obedecer a algumas regras básicas que serão estabelecidas pela coordenação do Curso de Musicoterapia, de acordo com as normas já existentes para estágios em outras instituições e com as condições mais adequadas à clínica.  

Os estagiários deverão assinar um termo de compromisso com a clínica, no sentido de que se possa tê-los enquanto o(s) paciente(s) que começou(aram) a atender esteja(m) freqüentando a clínica. Evidentemente, em casos excepcionais estes poderão ser substituídos.   

 

3.2 - Dos pacientes

Os pacientes serão escolhidos de acordo com as normas que forem estabelecidas como critério de elegibilidade.

Seria interessante serem atendidos inicialmente pacientes com necessidades especiais, pessoas adictas a drogas, deixando-se para um segundo momento o atendimento a psicóticos adultos, por exemplo, que necessitam de terapeutas com mais experiência.

 

4 - Dos Recursos físicos, materiais e humanos.

Uma sala de dimensões não muito grandes deverá estar disponível para atendimentos individuais e de grupo. Esta deverá ter poucas cadeiras, almofadas, instrumentos musicais, aparelhagem de som e, preferencialmente, câmara de vídeo para a gravação de atendimentos que façam parte da atividade de pesquisa.

Um banheiro deverá estar à disposição para ser utilizado por pacientes, se necessário.

Ainda haverá necessidade de uma sala de espera onde pessoas que acompanhem esses pacientes possam esperar por eles.   

 

5 - Da Utilização do Espaço

Esta mesma sala poderá ser sublocada por musicoterapeutas formados, sob condições que serão estabelecidas pela coordenação da clínica e/ou direção do CBM.

 

6 - Da Supervisão

Os alunos que estiverem atendendo em caráter de estágio deverão estar em supervisão com os supervisores das respectivas áreas de aplicação da musicoterapia, do curso de Musicoterapia.

O atendimento a pacientes portadores de distúrbios que fazem parte de novas áreas de aplicação da musicoterapia deve ser incentivado.

 

7 - Da Pesquisa.

Seria de extrema importância que o CBM solicitasse bolsa de incentivo à Iniciação Científica para possibilitar o início dessa atividade ainda no curso de graduação.

Caso o curso de Pós-graduação continue a ser oferecido, também os alunos deste curso poderão ser incluídos na clínica, podendo-se com estes, incrementar essa atividade, de extrema importância para o desenvolvimento da musicoterapia e para a formação dos musicoterapeutas.

 

8 - Do pessoal da clínica

A clínica deverá ser dirigida por mais de um musicoterapeuta. Assim, poder-se-ia ter um professor musicoterapeuta responsável pela atividade clínica e outro pela atividade de pesquisa. 

 

9 - Considerações finais.

Não se pode perder de vista o objetivo principal da clínica: atendimento à comunidade – pacientes que sejam considerados elegíveis para a musicoterapia e para este tipo de atendimento.

Alguns aspectos para o funcionamento da clínica só poderão ser decididos em reunião com a Diretoria do CBM e com a coordenação do Curso de Musicoterapia. Dentre esse destacamos:

  • a escolha das atribuições dos dirigentes da clínica;

  • a forma de escolha dos estagiários;

  • como será implementada a pesquisa;

  • se os atendimentos serão pagos pelos pacientes e qual será esse pagamento;

  • como os dirigentes serão remunerados e qual a sua carga de trabalho;

  • que móveis serão colocados na sala e qual será a distribuição dos mesmos no espaço;

  • quais os instrumentos e onde estes serão guardados;

  • onde será afixada a câmera;

  • qual o pagamento que os musicoterapeutas formados terão que efetuar caso haja horários vagos para que a sala seja sublocada;

  • os deveres e direitos tanto dos estagiários quanto dos musicoterapeutas formados;

  • como será feita a divulgação da clínica;

  • as parcerias que poderão ser feitas;

  • a busca de financiamento para pesquisa, enfim, todos os aspectos que fazem parte de um atendimento deste tipo de clínica.


Lia Rejane Mendes Barcellos

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