Cecília Fernandez Conde

Cecília Fernandez Conde (Rio de Janeiro RJ 1934). Compositora e diretora musical. Realiza trabalhos de "ambientação musical" para os principais grupos cariocas dos anos 70, especialmente o Teatro Ipanema, que fazem parte de um conjunto de inovações cônicas que forjam a estética praticada nas encenações teatrais do período.

Diploma-se em canto e piano pelo Conservatório Brasileiro de Música, em 1953. Com extensa carreira docente, inicia suas atividades no campo teatral em 1963, compondo para a cena no grupo de Teatro de Bonecos de Ilo Krugli e Pedro Touron, onde atua até 1970. Assina, em 1967, a música de O Barbeiro de Sevilha, de Beaumarchais, direção de Paulo Afonso Grisolli. Volta a trabalhar com o diretor em A Parábola da Megera Indomável, autoria do próprio Grisolli, em 1968, espetáculo inaugural do grupo experimental A Comunidade. Colabora com o Teatro Ipanema na sua fase áurea, em Como se Livrar da Coisa, de Eugène Ionesco, direção de Rubens Corrêa, 1969; O Arquiteto e o Imperador da Assíria, de Fernando Arrabal, dirigido por Ivan de Albuquerque,1970; Hoje É Dia de Rock, de José Vicente, 1971, e A China É Azul, de José Wilker, 1972, e Ensaio Selvagem, de José Vicente, todos direção de Rubens, 1974. Nos então chamados "laboratórios", o trabalho de preparação vocal dos atores é desenvolvido com uma pesquisa de sonorização do ambiente dramático. Com Amir Haddad, novamente com A Comunidade, em Agamêmnon, de Ésquilo, 1970 - que juntamente com o já citado O Arquiteto e o Imperador da Assíria, confere-lhe o Prêmio Molière de melhor música para teatro - ; com Tite de Lemos em Hipólito, de Eurípides, 1968; com Luiz Carlos Ripper, em Avatar, de Paulo Afonso Grisolli, 1974; com quem trabalha mais uma vez em Não Me Maltrate, Robinson, 1977; e Extra-Vagância, de Dacia Maraini, 1988.

Trabalha também no teatro infantil, merecendo destaque suas músicas para Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado, 1969, Concerto para os mais Pequenos, de Pedro Dominguez, 1970, e O Barquinho, de Ilo Krugli, 1972, ganhando prêmio da Secretaria de Educação do Estado da Guanabara de melhor música para teatro infantil. 

A partir da metade dos anos 80, a participação na vida teatral tornou-se mais esporádica, em função de outros compromissos com a administração cultural do Estado e com o Conservatório Brasileiro de Música, onde como diretora funda e orienta o Curso de Musicoterapia.

Suas composições para teatro - entre as quais as de O Arquiteto e o Imperador da Assíria e de Hoje É Dia de Rock - caracterizam-se pelo envolvimento integral na proposta dos grupos, no caso o Teatro Ipanema, em que todos os elementos da encenação são trabalhados em conjunto. Nos então chamados "laboratórios", o trabalho de preparação vocal dos atores é desenvolvido com uma pesquisa de sonorização do ambiente dramático.

A fusão orgânica com a teatralidade proposta pelos encenadores é a singularidade do trabalho de Cecília Conde, redimensionando o papel da música no teatro. O conjunto dos seus trabalhos de 1970 é distinguido com o Prêmio Molière.

Analisando o trabalho de Cecília Conde, o crítico Yan Michalski comenta: "Suas composições para teatro - entre as quais as de O Arquiteto e o Imperador da Assíria e de Hoje é Dia de Rock destacam-se como verdadeiros marcos - caracterizam-se pela sua consistência musical, decorrente dos seus profundos conhecimentos como musicista, e pela sua fusão orgânica com a teatralidade proposta pelos respectivos encenadores".

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